Rui Lomelino
de Freitas
Livros Horizonte
Com o advento da Internet, toda a vida quotidiana se
transformou, mas o jornalismo é uma das áreas onde a acção da rede teve
consequências mais avassaladoras, forçando empresas jornalísticas tradicionais
a entrar no novo campo de acção. Mas cabe perguntar: Será que a Internet
contribuiu para localizar novas fontes de informação? Será que a Internet
substitui o contacto telefónico ou pessoal entre jornalistas e fontes? Por sua
vez, as fontes de informação “menos poderosas”, têm, através da rede, maior
acesso ao campo jornalístico?
Essa realidade reflecte-se na elaboração e resultado
final da peça jornalística? E, relativamente aos jornalistas: Será que os blogs, chatgroups, newsgroups e
fóruns são fontes inspiradoras de notícias? A Internet contribuirá para a maior
exactidão das peças jornalísticas? As informações localizadas são fidedignas? A
web facilita o trabalho entre os jornalistas? Eis algumas questões a que a presente obra procura responder
através da apresentação de estudos teóricos e empíricos esclarecedores.
É consensual que a Internet mudou o Mundo. A rede
começou por ser essencialmente de cariz militar, mas rapidamente os seus
pressupostos afectaram o quotidiano de uma sociedade ávida de inovação. A
Internet impôs-se sem dificuldades na sua rotina diária a nível pessoal e
profissional. Se, no foro da intimidade, originou a criação de novos laços de
amizade e outras afectividades, no campo profissional criou
novas profissões e modificou formas de agir, reconfigurando os espaços
temporais e físicos de uma actividade.
O campo jornalístico não fugiu à regra. As mudanças
produzidas pela Internet ao nível das acções, rotinas, procedimentos
conceptuais foram tremendas e um vasto leque de questões desabrochou. Algumas
delas encontram aqui resposta, sobretudo no que diz respeito à reconversão da
própria acção do jornalista no exercício da sua actividade. Na obra aqui
apresentada é possível compreender de que forma tal ocorreu, nomeadamente na
recolha de informação.
A comparação entre as acções diárias de jornalistas
ligados à imprensa, televisão e rádio, concretamente de nove meios de
comunicação social portugueses (Diário de Notícias, Correio da Manhã e Público,
RTP, SIC e TVI, Rádio Renascença, TSF e Antena 1), possibilita percepcionar
qual o verdadeiro contributo que a rede dá a um campo que se encontra em
constante mutação.