MADRID, 26 Jul. 07 / 12:00 am (ACI).- Em declarações ao
semanário Alba, Inger Enkvist, assessora do
ministério de Educação da Suécia, considerou "cínico"
que a Espanha copie um modelo psicopedagógico que já
demonstrou o seu fracasso.
A ausência do esforço, o déficit de autoridade e a
precariedade dos conteúdos sairá muito caro. O
contribuinte pagará e os únicos ganhadores serão "os
psicopedagogos dependendentes do orçamento".
Enkvist estuda há décadas o processo de
decadência da escola pública europeia e considera que
a deterioração da educação é causa do "construtivismo",
que é um "processo assumido pela maioria dos modelos
educativos europeus.
Firma-se sobre a tese de que só é verdade
aquilo que construímos por nós mesmos , destruindo
desta maneira a tradição e o conhecimento acumulado por
gerações anteriores. O construtivismo pretende que a criança
deve conhecer a verdade por si mesmo".
Para a especialista, "é sempre necessário que o professor
conduza o aluno para a verdade. Os construtivistas se
preocupam muito com o procedimento ao ensinar, mas muito
pouco com os conteúdos".
Segundo Enkvist, "uma educação que não dá prioridade ao
esforço mas apenas procura que as crianças estejam
contentes, que se entretenham, que trabalhem em equipa, e
que digam o que lhes apetecer, demonstrou já seu fracasso. E
isso consolida o poder dos psicopedagogos que desenharam
este sistema educativo e que mantêm uma rede de interesses
criados em torno da administração educativa e financiada com
dinheiro público".
"Esse construtivismo gera adolescentes
adultos que querem tudo para agora . Sim, é
uma espécie de geração de
68 permanente.
Mas claro, na vida quase nada é imediato, a maioria dos
frutos se produzem depois de um tempo de esforço e isso
inabilita de alguma forma para a vida porque se confunde o
desejo com a realidade. Eles acabam por acreditar que se
quiserem que alguma coisa seja verdadeira, a realidade
acabará por se moldar aos seus desejos", adiciona.
Para a especialista, "o problema não é de recursos, mas sim
do mesmo sistema. E possivelmente o sistema funcionaria
melhor com menores recursos. Países da Ásia, que trabalham
com livros mal editados, 50 alunos por sala e professores
mal pagos, estão a alcançar alguns resultados magníficos".
Neste sentido, também destaca o modelo britânico porque
"decidiram provocar uma reviravolta e retornar do
construtivismo aos conteúdos. E aquela reforma de Thatcher
foi continuada e inclusive melhorada por Blair, convertendo-se
em política de Estado não submetida aos vaivens políticos".
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