O ESCÂNDALO POLÍTICO
COMO ACONTECIMENTO MEDIÁTICO
COMO MINIMIZAR OS ASPECTOS NEGATIVOS
Embora a possibilidade de vir a estalar um escândalo político seja inerente aos princípios organizativos da democracia, Thompson faz algumas propostas para minimizar as suas consequências negativas.
1. No plano mais geral, trata-se de promover a existência de maior transparência e exigir mais responsabilidades ao governo. Um maior grau de transparência deixa uma menor margem à suspeita.
Haverá sempre áreas governamentais em que é necessário um certo grau de secretismo, mas devem
ser poucas, bem definidas, e ser objecto de um acordo prévio.
2. Devem estabelecer-se pautas de condutas claras para os funcionários públicos, especialmente
nos assuntos financeiros, de modo a evitar conflitos de interesses. A adopção de códigos de conduta
explícitos e a existência de registos públicos em que se exige que os políticos declarem os seus interesses
privados, contribui para reduzir a ambiguidade.
3. É essencial que existam mecanismos eficazes para investigar as denúncias de infracções e formular
recomendações. Simultaneamente, como demonstra a figura do Procurador Independente nos EUA, é fácil
que este tipo de investigações seja contaminado pelas disputas entre partidos. Por isso, é prudente
garantir que qualquer investigação concreta tenha um prazo claro e um tema bem definido.
4. Por difícil que seja traçar uma linha divisória entre os aspectos públicos e privados da vida dos
políticos, os meios de comunicação devem esforçar-se em estabelecê-la. E, se não exercem esta
responsabilidade por iniciativa própria, seria útil que a lei a definisse.
5. Hoje, quando podem difundir-se tantos mexericos e rumores na Internet, é particularmente
importante que os meios de comunicação social mais sérios decidam com precaução e sensatez profissional
que informação e que denúncias se deverão poder publicar.
in “Correio da AESE – Documentação”
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