SOCIEDADE DE MANUTENÇÃO
Há já alguns anos assisti em Estrasburgo à discussão de uma tese com o título desta crónica.
O autor chamava a atenção para a grande dependência, já então facilmente constatável na nossa sociedade de consumo, de serviços de manutenção dos equipamentos profusamente comprados e intensamente utilizados.
De então para cá a tecnologia tentou contornar as exigências duma manutenção eficaz com a adopção de produtos descartáveis, mas tal solução acabou por criar o enorme problema da sua eliminação, além de conduzir a um desperdício de materiais não recuperáveis – mantendo-se as mesmas e surgindo novas exigências.
Mas a manutenção é exigência também imperativa dos serviços, de que os mais importantes, para nós, são os de comunicação e vindo tudo isto a propósito do Teletexto dos canais de TV.
Trata-se dum novo serviço prestado pelos Operadores de TV, como sempre com o fim de atrair novos telespectadores, só que um tal serviço pouca atenção merece aos responsáveis dada a sua fraca qualidade.
Já nem é só a questão da actualização pouco frequente das notícias que falha muitas vezes; é também o próprio funcionamento do sistema que deixa muito a desejar.
É desagradável vermos o 888 no canto direito, indicativo do funcionamento como legendagem, não estando essas legendas inseridas.
Tudo revela uma falta de cuidado, de competência profissional e de respeito pelo telespectador que já se não admite em pleno Sec. XXI, o século dos direitos humanos e sociais (e também dos telespectadores).
É claro que a própria sociedade portuguesa é avessa ao espírito de manutenção. Basta olhar para o lixo que cresce nos espaços públicos, para a poluição das paredes com mensagens sem interesse ou para o estado dos nossos rios ou praias..
Naturalmente que manter limpo o nossos ambiente custa dinheiro, mas também é timbre de civilização gastar o que for preciso para tornar aceitável este mundo em que nos foi dado viver.
E deveria também ser timbre dos Operadores de TV apresentar um serviço de informação tele- informática decente, responsável , com qualidade profissional.
Já é tempo de assumirmos como valor das pessoas o seu profissionalismo, a capacidade para tomar a sério as suas responsabilidades face às expectativas dos seus concidadãos, de não iludir os imperativos da vida em comunidade que exigem que cada um cumpra a sua missão sem embustes.
Começando pelo teletexto talvez cheguemos a tomar todos a sério o desempenho dos papeis que a sociedade espera de nós.
NC/28/4/06
Manuel José Lopes da Silva, Professor Jubilado UNL